sobre mãos, olhos e o tempo
Abril. Haviam se passado oito meses. Dez, se contarmos as saídas de final de semana, enquanto os dois se conheciam melhor. Ou reconheciam-se. Quatro anos e alguns meses, contando desde a primeira vez em que trocaram olhares pelos corredores e mensagens virtuais - frias, mas que lhes esquentavam a alma. A nuca arrepiava, sempre que pensava nela, o olhar à televisão - ou qualquer parede, poste, árvore - e esperava pela conversa da noite. Naquele tempo, ele não podia tê-la, mas queria. Ela não podia querer, e se obrigava a não pensar em possibilidades. Mas pensavam. E só. Nunca se falaram pessoalmente. Ele tinha medo, em primeiro lugar, da possível reação da moça, ou de não saber conduzir o papo como pela internet. Morria de vergonha, insegurança. Coisa de adolescente. Em segundo lugar, morria de medo de não conseguir controlar os sentimentos que podiam brotar de um contato direto com os olhos, que sabia apenas que eram verdes. Não sabia exatamente como eram aqueles olhos, as mão...