ah, a insônia...



Me cansei de tudo o que escrevo - de tudo o que já escrevi. Me cansei de sempre pensar com a mesma voz. Enjoei da voz da minha cabeça. Talvez por isso eu não escreva há algum tempo. Tenho essa mania besta de nunca gostar do que eu mesmo faço. Autocrítica? Pode ser. Ou TOC mesmo. Ou medo. Conversando com uma amiga, na semana passada, descobri que sempre tive medo do julgamento alheio. Medo de ser testado - e não passar no teste. Existe coisa mais idiota? Ninguém liga pro que você faz, ou se faz bem ou mal feito. As pessoas estão preocupadas demais com seus pequenos problemas diários. Enquanto você acha que alguém está te observando e te analisando, ele provavelmente está pensando no que tem pra fazer à noite, nas contas a pagar ou na garota que passa lá atrás de você, em frente ao café do outro lado da rua. Pensamos demais. Perdão, eu penso demais. Nunca se pode falar pelos outros, certo? Ora, admita: às vezes podemos, sim, generalizar. Generalizando, pois, digo que gostamos de pensar que somos o centro de... de algo, enfim. Que fazemos muita diferença no mundo, que temos papéis importantes a cumprir para que a vida continue e a humanidade sobreviva. 

Francamente? Não somos nada além de uma minúscula forma de vida, hipoteticamente consciente, e que, comparada ao tamanho do planeta que habita, não faz sequer cócegas na ordem natural das coisas. Mais uma peça na eterna cadeia de eventos isolados que formam a chamada existência. Estamos aqui, apenas. Qual o sentido da vida, então? Eu digo que deveria ser, simplesmente, evitar o sofrimento - seu e dos seus. Se somos seres sem um propósito, que existem e sentem e pensam que pensam, devemos utilizar nossas faculdades mentais e nossos polegares para evitarmos qualquer tipo de sofrimento. Ah, que cabeça a minha: estamos muito preocupados com coisas pequenas, problemas do dia-a-dia... temos muito em que pensar. Coisas que inventamos para.... pra que é que servem tantas coisas que inventamos?  Não é de onde surgem todos os nossos males? Enfim, o ser humano é patético. Inventa coisas com as quais passará todo o tempo se preocupando. A vida seria muito mais simples e prazerosa e,  consequentemente, muito mais dotada de sentido, se a raça humana não perdesse tanto tempo e energia com babaquices tecnológicas e convenções morais ultrapassadas, instituições falidas ou a infinidade de futilidades pelas quais a maioria das pessoas trabalha, estuda, vive. 

Resumindo: complicamos tudo à toa, enquanto poderíamos apenas viver bem. Todos os males vêm do fato de o ser humano sempre complicar as coisas. Ponto. Talvez as coisas pudessem ser mais simples no início e, hoje, não possam mais. Um caminho sem volta. Malditos antepassados, ferraram com tudo. Já que a humanidade parece não ter mais jeito, o remédio é tentar melhorar minha própria e humilde existência. E aproveitando a onda de mudanças que me aguarda (assim espero), preciso ter uma conversinha comigo mesmo. Mudar algumas coisas. Simples, sim, mas que não deixam de fazer diferença. Como diria um Cury da vida aí, o autoconhecimento é o caminho para a luz interior (ou qualquer coisa parecida). Mas não é bem por aí... só quero parar de pensar porcarias desnecessárias, daquelas que te impedem de fazer coisas ou aproveitar momentos bons por pura bobagem. As folclóricas "minhocas na cabeça". Tentar simplificar e aproveitar, este deve ser o caminho. Veremos. 
Texto doido. 
É a insônia.






Comentários

  1. O acaso pode ser bem-vindo às vezes, não?

    Entre cada palavra, ponto e vírgula é possível perceber muita delicadeza dentro de você. Posso até arriscar um: você é muito humano! Característica rara e difícil de ser notada, principalmente nos dias de hoje. Enquanto a sociedade, de um modo geral, tece uma máscara sobre nossas vistas, será impossível perceber que tamanhos talentos sejam percebidos, por exemplo, num dia de trabalho.
    Estamos perdendo tempo tentando nos encaixar num mundo que não tem mais encaixe, pois estes já foram moldados por outras criaturas – algumas ridiculamente estúpidas, diga-se de passagem. Nos deixamos levar... Inteligência fica por debaixo de nossas roupas e olhe lá, pois são raros aqueles que a possuem. O que nos interessa - o que nos fizeram crer que interessa - é o que julgamos à primeira vista, o estereótipo, a casca, a carcaça e não a primeira troca de palavras e talvez o jeito de agir. E assim não vamos à frente, ficamos imóveis, intactos.
    Entende?
    Somos vítimas de algo praticamente imutável, que nem nossa culpa é ou foi. E o que me deixa frustrada é: aceitamos, simplesmente. Mentimos pra nós mesmos quando achamos que mudamos. Somente mudamos mudando nossas atitudes. É piegas, eu sei. Mas às vezes onde – ou quando! – menos esperamos que algo diferente aconteça, lá vem a vida e puft! muda tudo e nos confunde dos pés a cabeça.
    O fato é: deixemos a timidez de lado ou deixemos o mundo como ele está?

    Curioso o acaso.
    O acaso, o cansaço, talvez o sono. Ou será a curiosidade do novo, do desconhecido?

    Desculpe-me as palavras meio atravessadas, meio sem sentido.
    Eu só queria poder dizer... gostei de você.

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  2. Nossa, me surpreendeu, o comentário. Primeiro porque mal me lembrava deste blog. Engraçado, reli os textos novamente como se outra pessoa os tivesse escrito. Segundo, porque é raro alguém comentar quando gosta de algo. Talvez não seja tão raro assim... talvez eu tenha me desabituado a receber comentários (principalmente os positivos). É o lado ruim de se mudar pra uma cidade grande onde as pessoas são mais frias que o clima. Só não sei se há motivo para tamanho anonimato. Voto sempre em “deixemos a timidez de lado”. De qualquer forma, agradeço o tempo despendido em comentar o texto de um estranho, num blog cheio de teias de aranha. Me deu vontade de voltar a escrever... rezemos pra que o monstro da preguiça solte a minha perna, de vez em quando!

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  3. Essa sensação é comum. Digo por experiência própria com blogs e uns textos guardados em gavetas. Deve ser o amadurecimento, as novas experiências... e trazem aquele ar de nostalgia gostoso! Pra mim taí uma das graças da vida: olhar para trás e enxergar certa graça, separando o que foi bom do que foi ruim. Não sei os outros, mas isso me faz me sentir uma pessoa melhor, que melhorei, que “evolui” ao longo do tempo.
    Ah, não se acostume assim! Ainda existem pessoas sem um coração de pedra por aí! Haha! Talvez a gente não as encontre sempre, mas elas ainda existem. Sei lá, ando meio otimista.
    Pode parecer contradição com o que eu havia dito no outro comentário, mas não acho que o anonimato mudaria algo. Afinal de contas, não deixo também de ser uma estranha. Sem querer parecer rude – e não me entenda como tal, por favor -, mas uma conversa à toa num blog é tipo uma conversa à toa num bar. Rendem bons assuntos e ótimas análises sobre este bicho estranho chamado ser humano, além de uma visão dum ângulo diferente. Então não sei se é preciso me “revelar” – pelo menos ainda. Vamos lá, seja mais convincente!
    Não perca esta vontade, então! Eu estou torcendo, rezando e querendo muito que ele te solte. As suas metáforas são muito boas, além de terem certa acidez e leveza – ora ao mesmo tempo, ora não. Bom, pelo menos eu acho!
    Enfim, se quiser um conselho: não desista, guri! Terá uma leitora assídua! E se quiser, compartilharei mais comentários, caso não ache que eu esteja sendo uma intrusa.
    Chega de papo, antes que eu me empolgue mais (e de novo!). Hehe

    Hasta! (:

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